MARCANDO O TEMPO

 

Calendário

        O primeiro sistema de divisão do tempo, que mais tarde recebeu o nome de calendário, foi elaborado há milhares de anos. A palavra “calendário” vem de calendae, um termo latino que identificava o dia do mês romano em que se pagava as contas.

        O dia é o elemento mais antigo do calendário. Sua noção surgiu da observação da regularidade da ocorrência de períodos de claridade e de escuridão. A idéia de mês nasceu da observação do período de duração das quatro fases da Lua. Já a idéia de ano originou-se da repetição do ciclo das quatro estações, que hoje chamamos de primavera, verão, outono e inverno.

        Embora não sejam os únicos, os calendários lunar e solar são os mais conhecidos.

        O calendário lunar tem por base o movimento da Lua em torno da Terra. O calendário solar foi elaborado de acordo com o que seus criadores julgavam ser o “movimento” do Sol.

        As antigas sociedades do Oriente Médio adotaram o calendário lunar, com exceção dos egípcios, os criadores do calendário solar. As quatro fases da Lua (Nova, Crescente, Cheia e Minguante) serviram de inspiração para os antigos babilônicos, que dividiram o mês lunar em 4 semanas de 7 dias.

        As constantes observações dos egípcios sobre os fenômenos naturais levaram-nos a perceber que as cheias do rio Nilo, o grande rio do Egito, atingiam o seu ponto mais alto a cada 365 dias. A partir daí eles criaram o calendário solar, segundo o qual o ano de 365 dias era dividido em 12 meses de 30 dias. Como 12 vezes 30 é igual a 360, os egípcios acrescentaram 5 dias no final de cada ano para completar os 365 dias.

        O calendário mais usado atualmente pelas sociedades ocidentais, incluindo a brasileira, é o calendário gregoriano, assim chamado porque foi estabelecido pelo papa Gregório XIII, em 1582.

        Esse calendário teve origem no primitivo calendário romano, pelo qual o ano era dividido em 10 meses lunares: 6 de 30 dias e 4 de 31 dias. No século Ia.C., Júlio César, líder do governo romano de então, definiu o novo calendário, fixando o ano em 365 dias, com um ano bissexto de 366 dias a cada 4 anos. Mais tarde, dois dos meses romanos passaram a se chamar Julius (Julho) e Augustus (Agosto), em homenagem a Júlio César e a Otávio Augusto, o primeiro imperador romano.

        Os romanos contavam o tempo a partir da fundação de Roma, em 753ª.C., enquanto os gregos iniciavam seu calendário na primeira Olimpíadas, ocorrida em 776ª.C.

        Os muçulmanos contam o tempo a partir de 622 da era cristã, ano da Hégira, ou seja, fuga do profeta Maomé, criador da religião islâmica, da cidade de Meca para Medina. A fuga se deu porque havia sido condenado à morte por aqueles que não admitiam a nova religião que criara.

        Os judeus possuem um calendário geral e um religioso. No calendário geral, a contagem do tempo inicia-se com a criação do Universo, que teria ocorrido há cerca de 6 mil anos. Já o calendário religiosos determina que o ano inicia no Nissan, mês de nascimento da nação hebraica, que é comemorado na Pessach (Páscoa judaica).

               

A Igreja católica tinha muito poder na época em que foi criado o calendário gregoriano ou cristão, Por isso ele acabou predominando na Europa, de onde se espalhou para os outros continentes, sendo hoje uma referência internacional.

 

Origem do calendário cristão

 

        Os povos cristãos têm como marco básico da contagem do tempo o nascimento de Cristo.

        Segundo o calendário cristão, as datas anteriores ao nascimento de Cristo recebem a abreviatura a.C. (antes de Cristo); as datas posteriores ao seu nascimento podem vir acompanhadas ou não da abreviatura d.C. (depois de Cristo). O ano 1 do calendário cristão é identificado como o ano do nascimento de Cristo.

        Assim como outros calendários, o cristão agrupa o tempo em dias, semanas, meses e anos. Os períodos maiores podem ser agrupados de dez em dez anos (décadas), de cem em cem anos (séculos), de mil em mil anos (milênio).

        O século é uma unidade de tempo utilizada nos estudos de história. Costuma-se indicar os séculos por algarismos romanos, pois essa é uma tradição que vem da Roma antiga. Exemplo: século XV, século XVII, século XXI.

        Um modo fácil de saber a que século pertence determinado ano é somar 1 ao número da centena do ano. Por exemplo: ano de 1997, o número da centena é 19, temos então:

                                                 

1997 Þ 19 + 1 =  20    (século XX)

  

Assim, 1997 pertence ao século XX.

No entanto, quando um ano termina em 00, como por exemplo 2000, temos uma exceção à regra.

Nesse caso, o número de centenas indica o século. Veja:

2000 Þ século XX

 

Isso significa que o ano de 2000 ainda pertence ao século XX, enquanto o ano de 2001 pertence ao século XXI.

Na tabela seguinte, você poderá ver a que século corresponde cada ano, até 2200.

Ano

Século

 1 a 100

101 a 200

201 a 300

301 a 400

401 a 500

501 a 600

601 a 700

701 a 800

801 a 900

901 a 1000

 1001 a 1100

1101 a 1200

1201 a 1300

1301 a 1400

1401 a 1500

1501 a 1600

1601 a 1700

1701 a 1800

1801 a 1900

1901 a 2000

2001 a 2100

2101 a 2200

I

II

III

IV

V

VI

VII

VIII

IX

X

XI

XII

XIII

XIV

XV

XVI

XVII

XVIII

XIX

XX

XXI

XXII

       

Como se faz para saber há quantos anos um fato aconteceu?

Þ  Se o fato aconteceu depois de Cristo, basta diminuir o ano em que o fato aconteceu do ano em que estamos.

Exemplo: Em 2007, quantos anos se completarão da chegada dos portugueses ao Brasil?

2007 – 1500 = 507

Completarão 507 anos da chegada dos portugueses.

Þ  Se o fato aconteceu antes de Cristo, somam-se as duas datas.

Exemplo: Em 2007, quantos anos completou a cidade de Roma? Roma foi fundada em 753 a.C.. Então:

2007 + 753 = 2760

Em 2007, a cidade de Roma completará 2760 anos

 

Índice


Fonte: CONTRIM, Gilberto. Saber e Fazer História: História Geral e do Brasil. 5ª Série. Editora Saraiva: São Paulo. 2002

            PILETTI, Nelson; PILETTI, Claudino. História e Vida. Volume 1. Editora Ática: São Paulo. 1993

            SILVA, Francisco de Assis. História: da pedra e do bronze à cultura greco-romana. Editora Moderna: 2001